Thursday, February 7, 2008

Nós, as Deusas!

Pois é, a Morgy tem razão! A Luísa tem razão!
Por muito que leia e estude o que vai fazer de mim uma boa doula, ou não, sou eu, o que eu sou e o que quero ser!

Então vou começar a deixar aqui, além das citações( heeheh) também alguns pensamentos que me vão passando pela cabeça (mesmo correndo o risco de dizer algumas asneiras :S ).

Que trabalho quero eu fazer enquanto doula? Ora o que eu quero mesmo fazer é acompanhar o crescimento das mulheres que acompanhar. Estar a seu lado quando o mundo "pular e avançar" para elas.
O que me fascina acima de tudo é descobrir a Deusa que mora dentro de cada mulher, e que muitas vezes está escondidinha num canto escuro, enquanto a esposa atenciosa, a profissional eficaz, a mulher altruísta ocupa todo o espaço.
E foi um homem que me fez descobrir esta minha vontade (bendito Ric Jones), que me (nos) gritou aos ouvidos a dizer que nós mulheres somos MARAVILHOSAS, somos MÁGICAS, somos ÚNICAS. Assim como os homens, que também são maravilhosos, mas esses têm tido todo o mundo a afagar-lhes o ego, nós não. Nós temos batalhado pela igualdade na ânsia de nos amar-mos tanto quanto eles se amam a si próprios, e só temos ficado cada vez mais confusas, mais perdidas, menos mulheres.
E é por isso, quanto a mim, que não é fácil ser uma mulher segura, decidida, culta, informada. Essas são as incómodas, as que têm "mau-feitio", porque mulheres (e homens) com opiniões são um "perigo"...
A Humanização do Parto é na minha opinião a verdadeira revolução feminista! Antes de mais nada porque defende o feminino, mulheres que (re)descobrem a sua força, a sua intuição, o famoso 6º sentido. Depois, porque finalmente caminhamos no sentido de termos mulheres informadas, que lutam pelos seus direitos, e isto sim é uma revolução!!

"Para mudar o mundo é preciso mudar primeiro a forma de nascer." Dr. Michel Odent


Thursday, January 24, 2008

Toula Q.B.

Caros leitores, se é que já os há por aí...
Como houve reacções ao endereço deste meu blog, depois de pensar bem decidi deixar aqui algumas palavras sobre o assunto.
Decidi em primeiro lugar não alterar a morada, a escolha já tinha sido ponderada, e não tinha sido feita levianamente, pelo que acho muito mais útil deixar aqui o porquê da escolha...e o porquê das reacções.

a Doula Toula sou EU! Mais nenhuma das outras Doulas!
E porquê Toula? Porque é como me sinto, sou a Aprendiz no meio das Anciãs. A Aprendiz de Feiticeira. Descobri este caminho, apaixonei-me, e sei que tenho um mundo pela frente com muito para aprender, algumas lutas e muitas felicidades. Além disso, quem me conhece sabe(e até se vai surpreender com este post) que eu sou dada a estas baboseiras e brincadeiras. Vivo com um sorriso nos lábios e um piscar de olho maroto. E é assim que vou estar ao lado das mães que me queiram.

E porquê as reacções? Porque realmente as Doulas ainda não são vistas com bons olhos pela grande maioria da opinião pública. Aliás, no estrangeiro onde o seu trabalho já tem mais tempo, sabe-se que não foi tarefa fácil e que tiveram de enfrentar muitos cépticos, muitos Velhos do Restelo, muita gente mal-intencionada. E por isso temos de ter muito cuidado com a informação que veiculamos para o exterior, temos de ser claras, objectivas, e não dar azo a qualquer mal-entendido.

A minha principal questão é, a falta de respeito, a reacção brusca ou mesmo violenta, as palavras duras e injustas que muitas Doulas já ouviram são resultado da ignorância e do medo. São também elas resultado do círculo vicioso "dor --> medo --> tensão --> dor".

E assim, pensei bem, e percebo a renitência quanto ao enderço do meu blog, mas escolho enfrentar este novo caminho assim. Até porque, posso-vos dizer que só tenho tido boas reacções, quem conhece as doulas só tem boas opiniões a dizer, quem não conhece fica encantado e curioso para saber mais.

Minhas Amigas (e alguns amigos) vamos à Luta! Eu estou pronta!
Sempre com uma gargalhada e um bom argumento como armas!

Friday, January 18, 2008

"Choramos ao nascer porque chegamos a este imenso cenário de dementes."

William Shakespeare
Eu pelo que ando a estudar tenho outra ideia, mas a hipótese do Sr. Shakespeare também não é de menosprezar... ;)

O mais belo (re)encontro

"Sua "fada madrinha" a pegou delicadamente entre os campos cirúrgicos e foi se aproximando para colocá-la no meu colo. Recordo-me de dois olhos curiosos se aproximando de mim...
"É que eu também queria te conhecer, mamãe! Eu já escutava sua voz conversando comigo, mas queria ver como era sua cara..."

Sonia Isoyama Venâncio
in "Humanizar nascimentos e partos"
Que lindo...

Sobre o Hospital Geral do Itaim Paulista

"Ainda sobre clientes externos, convidámos o grupo de mulheres da comunidade para formar uma comissão de doulas. Com essa ideia, solicitámos uma reunião com elas e oferecemos o projecto de doulas no hospital."

Marcos Roberto Ymayo
in "Humanizar nascimentos e partos"
Eu confesso que não tenho grande fé no sistema instituído, nos hospitais, e na maioria dos agentes de saúde, mas esta hipótese agrada-me...Seria possível um trabalho directo com um hospital? Haverá equipas médicas abertas a esta possibilidade?
A conclusão a que chego é que em vez de pensar que não, tenho de começar a acreditar que sim, a materializar a ideia, a pensar que é possível, e assim sim, o Hospital e a equipa vão aparecer!
"A única preocupação era a técnica: fazer o bebé nascer o mais rápido possível, porque quando está no canal de parto, ele deve nascer logo! Não levavam em conta que a natureza é bem pensada e que a transição do ser humano duma dependência total a uma independência parcial é uma passagem, e que alguns demoram mais que outros..."
Irmã Monique Bourget
in "Humanizar nascimentos e partos"

Tuesday, January 15, 2008

Saber esperar

"É nossa tarefa, enquanto agentes de saúde envolvidos com a humanização do parto, favorecer e cuidar desse amadurecimento. Promover a autonomia da gestante e do pai e respeitar o tempo de busca de soluções próprias. Se para todas as dificuldades são fornecidas soluções externas (técnicas ou não), a confiança passará a estar depositada apenas naqueles e naquilo que está fora de si (profissionais, cesáreas, mamadeiras, etc.). Os pais precisam de tempo e de apoio para construir sua maternidade e sua paternidade. Não apressá-los exige que saibamos esperar. Tempo. Acompanhá-los exige nossa disposição para sentir e elaborar os elementos que o nascimento - encontro e despedida - traz à luz."

Silvia de Ambrosis Pinheiro Machado
in "Humanizar nascimentos e partos"